sexta-feira, 11 de julho de 2008

Chico Bento em..." O ORADOR DA TURMA"

Foi uma grata surpresa quando a professora-formadora Ana Dilma,do CFORM/UNB,nos apresentou no encontro de 30/5 essa divertidíssima história do personagem Chico Bento e suas possibilidades de abordagem pedagógica,pois,durante os estudos sobre " Variações Linguísticas " (fascículo 5),os professores-cursistas solicitaram uma proposta de trabalho com esse personagem.
Encaminhei o estudo,inicialmente,ipsis litteris como nos foi apresentado no CFORM:
  • perfil sociolinguístico do personagem;
  • competência comunicativa e monitoramento da fala diante de um evento de alta pressão comunicativa ( o discurso);
  • uso de recursos dêiticos na oralidade;
  • influência do conhecimento de mundo no processo de construção textual...Essa abordagem foi interessante porque oportunizou uma retomada de conteúdos anteriormente estudados.

No tocante a fenômenos de variação linguística presentes nas falas do Chico,refletimos acerca de alguns pontos abordados por Bagno (BAGNO,2007:120-124).O problema de se trabalhar Chico Bento como exemplo de variação linguística é a não-representação fiel da variedade a qual ele representa.E nem poderia ser,pois o compromisso do criador ( Maurício de Sousa) não é científico,mas sim artístico.Bagno também destaca que alguns fenômenos evidenciados na fala desse personagem são graduais,ou seja,aparecem em todos os continuum de urbanização,em eventos de fala menos monitorados.Sendo assim," por que só a fala de Chico é que varia?"

E,finalmente,refletimos acerca de preconceitos contidos nos quadrinhos e,em especial, nas historinhas de Chico (SCARELLI,2003),que,além de reforçarem o estereótipo de que "caipira" fala tudo "errado",também reforça,em algumas, a visão de que este é matuto,ignorante e,até mesmo "burro".

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS NORTEADORAS DESSE ESTUDO:

BAGNO,Marcos.Nada na língua é por acaso:por uma pedagogia da variação linguística.São Paulo:Parábola Editorial,2007.

PEREIRA,A.D. de A. A diversidade linguística e os textos de Chico Bento - Reflexões e propostas para a Educação em Língua Materna.

SCARELLI,G. Educação e Histórias em quadrinhos:a natureza na produção de Maurício de Sousa.2003. Dissertação ( Mestrado) - FE/UNICAMP. Campinas.

SOUSA,Maurício de. Chico Bento nº 232.São Paulo: Editora Globo,1995. P.3-18.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

" O Português são dois..."



Drummond,no poema "Aula de Português",desperta o leitor para o fato de que a Língua Materna,"breve língua entrecortada","tão fácil de falar e de escrever" é uma.Por outro lado,a suposta língua ensinada na escola,cheia de "figuras de gramáticas,esquipáticas" (Seria esse termo a junção de esquisitas com antipáticas?),chamada de Norma Culta,Norma Padrão ou Português Padrão é outra.
E assim, motivada pela consciência sociolinguística do poeta,iniciei o último encontro do semestre com os professores-cursistas de Santa Maria.Leitura Compartilhada: Aula de Português / Carlos Drummond de Andrade.As reflexões suscitadas pela leitura facilitariam a proposição do desafio: estudar Português-Padrão como 2ª língua.
Mas "no meio do caminho tinha uma pedra".Percebi nas falas de alguns colegas, a insistência em ensinar Português segundo a tradição normativa,e,inclusive, destacando como erro tudo que for de encontro a ela.
"E agora,José?"

sábado, 28 de junho de 2008

II FÓRUM EAPE/CFORM

LÉO CUNHA
Especialista em literatura infantil,mestre em Comunicação pela UFMG,doutorando em Cinema,40 livros publicados e vários premiados.
E
MARIA ANTONIETA
Especialista em leitura,presidente da Fundação Municipal de Cultura e editora da ED. Dimensão.


HERANÇAS DA LEITURA
01/07/2008
8h30/ 14h
Centro de Convenções Ulisses Guimarães
Organização: EAPE, ED. Dimensão e Arco-Íris.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

I Fórum: Proseando sobre a construção de textos e ilustração


O encontro desta semana foi especial. A Distribuidora Arco-Íris,em parceria com a EAPE,promoveu o "Grande Encontro" dos escritores Jonas Ribeiro e André Neves com os professores tutores e cursistas dos módulos I e II do curso Alfabetização e Linguagem,no auditório da Igreja Sara Nossa Terra,Setor Sudoeste.
Breno,um jovem contador de histórias integrante do grupo da professora Terezamaria,iniciou brilhantemente o evento com a apresentação dum trecho do livro "A caligrafia de Dona Sofia" de André Neves.Uma produção de texto inspirada na personagem Bruxa Cremilda das histórias de Jonas Ribeiro também foi apresentada por uma criança na abertura.
A "prosa" descontraída entre os autores e o público iniciou-se com o relato sobre a parceria escritor e ilustrador que existe há 11 anos.André Neves destacou a importância da relação de afeto entre autor,ilustrador e texto como facilitadora na composição do projeto visual do obra.A importância do livro infantil como "Literatura para a Infância" da criança e do adulto que fora criança foi bastante enfatizada por eles.
A dupla demonstrou a satisfação de prosear com um grupo especificamente docente e,aproveitando a oportunidade,falou sobre o trato dado à literatura em sala de aula.O professor,segundo eles,deve preservar a "essência da palavra" do escritor ao contar histórias aos alunos.Também o trabalho com as imagens deve extrapolar a simples releitura (reprodução) de desenhos.
Como o escritor e o contador de histórias "fazem parte de um mesmo amálgama",segundo costuma falar,Jonas nos presenteou com a contação de Faniquito e siricutico no mosquito,Um bifinho ou um salaminho?, A visita da saudade e A cor da fome.
O ilustrador André Neves,por problemas operacionais,não pôde apresentar suas imagens para o grande público,mas,em contrapartida,interpretou de forma encantadora, com seu sotaque nordestino,um poema de Zé da Luz intitulado As Flô de Puxinanã.
E assim aconteceu o nosso Grande Encontro com o humor,a irreverência,a criatividade,a sensibilidade e, sobretudo,com a arte.
Querem mais?Visitem o website http://www.jonasescritor.com.br/ e o blog http://confabulandoimagens.blogspot.com/ .

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Asa Branca... "outros olhares"


No 5º Encontro com os professores- cursistas de Santa Maria analisamos a música "Asa Branca" de Luiz Gonzaga,com o objetivo,além da interpretação,de refletirmos sobre as variações linguísticas,os fenômenos decorrentes destas variações e,em especial,o dialeto representativo do falante nordestino.Tudo teria transcorrido dentro da normalidade e de acordo com a análise que nós tutores vivenciamos no CFORM/UNB se...

Durante a etapa de planejamento do encontro,descobri em meu acervo musical um CD de Luiz Gonzaga ao Vivo,cuja "Asa Branca" era cantada em outra variante mais aproximada da variedade-padrão.Achei estranhíssimo,principalmente porque era o próprio (Luiz) quem cantava.No mesmo CD,na sequência,o cantor entoa a canção "O Retorno da Asa Branca" e retoma a variedade não-padrão característica da versão original de "Asa Branca".Isto proporcionou reflexões bastante interessantes sobre as variantes,inclusive as de prestígio,e sobre o preconceito linguístico.

Uma hipótese levantada por um cursista foi a de que,em "Asa Branca" o contexto sócio- cultural é a cidade grande,possivelmente São Paulo,que foi e é a rota migratória de muitos nordestinos que saem de sua terra natal em busca de melhores condições de vida.E,neste novo contexto, há a absorção, como forma de resistência,de uma outra cultura,inclusive linguística.Mas,ao primeiro sinal de chuva no sertão,o homem nordestino retorna à terra natal,reencontra os "seus" e recupera sua identidade,inclusive no modo de falar.

Também a análise interpretativa de outra professora foi bem significativa, porque a mesma nasceu e morou,quando criança,no interior nordestino,tendo vivido todos os dramas da seca.Percebemos ,nesta outra análise, o quanto o conhecimento e a leitura de mundo contribuem para o enriquecimento da interpretação textual e o quão é importante a cumplicidade sujeito-produtor/sujeito-leitor,pois oportuniza novos "olhares" à obra.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

ENCONTROS

ENCONTROS ... palavra perfeita para definir a minha prática de tutoria.
O 1º Encontro foi a superação do medo,da preocupação e da ansiedade para assumir a tutoria do curso "Alfabetização e Linguagem".Contudo,já no contacto inicial com os professores-cursistas de Santa Maria percebi o quão enriquecedora e gratificante seria esta prática.A dinâmica "Marcos Profissionais" oportunizou relatos de histórias,trajetórias de vida que nos constituíam nos professores que hoje somos.Percebemos que diante de tanta heterogeneidade,alguns "nós" se entrelaçavam, se encontravam tornando-nos iguais.
Nas semanas seguintes nos encontramos com teorias e concepções linguísticas,sociolinguísticas e psicolinguísticas que suscitaram reflexões acerca da nossa práxis enquanto professores de língua materna.Percebemos que a teoria,em muitos momentos,ia de encontro com essa prática.Desencontros?Que nada!
A cada novo encontro um "olhar de professor- pesquisador" (re) nasce...